sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Richard Corben


(Anderson, Misuri em 1 de Outubro de 1940)


Celebre pelos seus comic's de ciência ficção e fantasia. Vindo do underground, adquiriu condição de autor de culto no final dos anos setenta.



Inventor de uma técnica original de coloreado de imagens, partindo do "fotocromo", utiliza um sistema misto, começando com cores de acrílicos para terminar com pintura a óleo. Numa fase intermédia utiliza o aerógrafo com acrílicos, criando assim um estilo muito pessoal e inconfundível.
O trabalho de Corben influenciou uma geração de ilustradores e novelistas gráficos, tanto nos E.U.A. como na Europa. Trabalhou com os seguintes guionistas: Bruce Jones, Jan Strnad, Harlan Ellison, Brian Azzarello, Mike Mignola, entre outros.
Frequentemente a obra de Corben é catalogada como pornográfica devido ao seu acentuado conteúdo sexual.














Desde muito pequeno e como consequência do seu carácter introvertido, desenhava sistematicamente até que os lápis ou o papel se gastassem.
Os primeiros comic's que recorda ter desenhado foram aos 6 ou 7 anos. Aos 10 era já celebre no seu colégio devido às suas aventuras dedicadas ao seu cão Trail.
Entre 1963 e 1972, dedicou o seu tempo livre a experimentar outros campos criativos, como a pintura, produção própria de películas, escultura, comic's e o seu fanzines "Fantagor".
O seu primeiro comic "Monsters Rule", publicou-se entre 1968 e 1969 num fanzine underground "Voice of Comicdom".
Em 1968 fez um filme animado de criação própria, "Nuncanada"
Em 1970 começou a desenhar historias de terror para as publicações "Warren Publishing", "Creepy", "Eerie", e "Vampirella".
Em 1973 Ganhou o prémio Warren , pelo melhor desenhador e pala melhor capa anual, destronando Frazzeta.
Em 1975, participa na revista "Métal Hurlant", fundada por Moebius, Druillet e Dionnet. Corben conseguiu  a consagração com a criação das aventuras de Den. Dois anos mais tarde, nos E.U.A., sairia a revista "Heavy Metal" onde participou activamente.
Em 1976 adaptou uma narração de Robert E. Howard, "Bloodstar".
A partir deste momento a sua actividade artística e a sua fama perante o público nunca mais parou.
Nos últimos anos, deu a sua pessoal interpretação às seguintes personagens: Alien, Hulk, John Constantine, Hellboy, Bigfoot e Conan.
Adaptou os seguintes poemas e texto de terror para comic's:
The House on the Borderland, Texto de William Hope Hodgson, 2003
- Haunt of Horror - I, poemas e relatos de Edgar Allan Poe, 2007
- Haunt of Horror - II, poemas e relatos de H.P. Lovecraft, 2009













Sites:

Máximas filosóficas - II


O mundo das explicações e da razão não é o da existência.”



sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Fotos artisticamente destruídas







Só mais uma ginjinha para poder continuar a aturar esta merda de povo medíocre!




Fernando Pessoa

Poesia Ortónima


Autopsicografia
   
O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira a entreter a razão,
Esse comboio de corda
que se chama o coração.


Liberdade

Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
O sol doira
Sem literatura.

O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como tem tempo não tem pressa...

Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.

Quanto é melhor, quando há bruma,
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!

Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.

O mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca...


Isto

Dizem que finjo ou minto
Tudo que escrevo. Não.
Eu simplesmente sinto
Com a imaginação.
Não uso o coração.

Tudo o que sonho ou passo,
O que me falha ou finda,
É como que um terraço
Sobre outra coisa ainda.
Essa coisa é que é linda.

Por isso escrevo em meio 
Do que não está de pé,
Livre do meu enleio,
Sério do que não é.
Sentir? Sinta quem lê! 


Não sei quantas almas tenho

Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem achei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,

Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem,
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.

Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo: <<Fui eu?>>
Deus sabe, porque o escreveu.


Episódios – A Múmia

Andei léguas de sombra
Dentro em meu pensamento.
Floresceu às avessas
Meu ócio com sem-nexo,
E apagaram-me as lâmpadas
Na alcova cambaleante.

Tudo prestes se volve
Um deserto macio
Visto pelo meu tacto
Dos veludos da alcova,
Não pela minha vista.

Há um oásis no Incerto
E, como uma suspeita
De luz por não-há-frinchas,
Passa uma caravana.

Esquece-me de súbito
Como é o espaço, e o tempo
Em vez de horizontal
É vertical.

A alcova
Desce não sei por onde
Até não me encontrar
Ascende um leve fumo
Das minhas sensações.
Deixo de me incluir
Dentro de mim. Não há
Cá-dentro nem lá-fora.

E o deserto está agora
Virado para baixo.

A noção de mover-me
Esqueceu-se do meu nome.

Na alma meu corpo pesa-me.
Sinto-me um reposteiro
Pendurado na sala
Onde jaz alguém morto.

Qualquer coisa caiu
E tiniu no infinito.



Dorme enquanto eu velo...

Dorme enquanto eu velo...
Deixa-me sonhar...
Nada em mim é risonho.
Quero-te para sonho,
Não para te amar.

A tua carne calma
É fria em meu querer.
Os meus desejos são cansaços.
Nem quero ter nos braços
Meu sonho do teu ser.

Dorme, dorme, dorme,
Vaga em teu sorrir...
Sonho-te tão atento
Que o sonho é encantamento
E eu sonho sem sentir.



Manhã dos outros!

Manhã dos outros! Ó sol que dás confiança
Só a quem já confia!
É só à dormente, e não à morta, esperança
Que acorda o teu dia.

A quem sonha de dia e sonha de noite, sabendo
Todo o sonho vão,
Mas sonha sempre, só para sentir-se vivendo
E a ter coração.

A esses raias sem o dia que trazes, ou somente
Como alguém que vem
Pela rua, invisível ao nosso olhar consciente,
Por não ser-nos ninguém.



O Menino da sua Mãe

No plaino abandonado
Que a morna brisa aquece,
De balas traspassado
Duas, de lado a lado —,
Jaz morto, e arrefece.

Raia-lhe a farda o sangue.
De braços estendidos,
Alvo, louro, exangue,
Fita com olhar langue
E cego os céus perdidos.

Tão jovem! que jovem era!
(Agora que idade tem?)
Filho único, a mãe lhe dera
Um nome e o mantivera:
«O menino da sua mãe».

Caiu-lhe da algibeira
A cigarreira breve.
Dera-lha a mãe. Está inteira
E boa a cigarreira.
Ele é que já não serve.

De outra algibeira, alada
Ponta a roçar o solo,
A brancura embainhada
De um lenço... Deu-lho a criada
Velha que o trouxe ao colo.

Lá longe, em casa, há a prece:
«Que volte cedo, e bem!»
(Malhas que o Império tece!)
Jaz morto, e apodrece,
O menino da sua mãe.



Liberdade

Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
O sol doira
Sem literatura.
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como tem tempo não tem pressa...

Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.

Quanto é melhor, quanto há bruma,
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!

Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.

O mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca.


Já não quero ouvir, falar nem ver!



Les Chef-d'œuvres - X


Jean-Auguste-Dominique Ingres
(1780, Montauban - 1867, Paris)


Madame Moitessier (1856)




Monsieur Bertin (1832)



Oedipus and the Sphynx (1808-25)



Roger Freeing Angelica (1819)



The Bather (1808)



The Dream of Ossian (1813)



The Grand Odalisque (1814)



The Source (1820)



The Turkish Bath (1862)


Máximas filosóficas - IV

O maior prémio das acções heróicas é faze -las"